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Empresários goianos e lideranças que construíram grandes negócios: histórias por trás de marcas de Goiás

Histórias de risco, expansão, governança e sucessão ajudam a explicar como negócios goianos ganharam escala nacional.

EMPRESÁRIOS DE GOIÁS — Conexão Central

Atualizado em 12 de agosto de 2026.

Grandes negócios não surgem apenas de planilhas. Eles carregam decisões, riscos, sucessões, parcerias e anos de execução. Em Goiás, algumas empresas que hoje movimentam bilhões nasceram de operações pequenas, familiares ou cooperativas e cresceram até ocupar posições relevantes no mercado nacional.

Por isso, falar de empresários goianos não deve virar uma lista de “mais ricos” sem contexto. Para o Conexão Central, liderança empresarial interessa quando ajuda a responder perguntas práticas: como um negócio regional ganhou escala? Qual decisão mudou a trajetória? Como a empresa atravessou uma sucessão? Que relação manteve com a cidade de origem?

A seguir, reunimos algumas histórias que ajudam a entender diferentes modelos de construção empresarial em Goiás.

Zé Garrote e a construção da São Salvador Alimentos

A história oficial da Super Frango registra que Carlos Vieira construiu os primeiros aviários em Itaberaí em 1973. Em 1981, começou a parceria com Zé Garrote, que mais tarde resultaria na São Salvador Alimentos. Em 1991, a empresa inaugurou a planta de processamento e lançou a marca Super Frango.

A trajetória chama atenção porque Garrote vinha do comércio farmacêutico. Em diferentes entrevistas e perfis, ele relata ter colocado patrimônio próprio no crescimento do negócio. Mais importante do que transformar isso em narrativa de heroísmo é observar a lógica empresarial: assumir risco, verticalizar etapas, construir distribuição e ampliar mercados.

Décadas depois, a SSA passou a operar com plantas industriais, marcas próprias, exportações e uma estrutura de governança que inclui a nova geração. O caso conecta Itaberaí a uma cadeia global de proteína animal e mostra como um município do interior pode ser sede de um negócio com alcance internacional.

A família por trás do crescimento da Piracanjuba

O Grupo Piracanjuba informa que nasceu em Goiás em 1955. O que começou com manteiga se transformou em um portfólio de centenas de produtos e uma rede industrial distribuída por vários estados.

Ao longo do tempo, a gestão familiar foi incorporando estruturas mais profissionais de governança, novas marcas e parcerias. Em 2024, a companhia anunciou uma nova estrutura corporativa e continuou avançando em aquisições e expansão fabril. É um exemplo de que empresa familiar não precisa significar gestão improvisada: profissionalização e continuidade podem caminhar juntas.

Para empreendedores, o aprendizado é direto. Marca, distribuição e confiança acumulada podem ser tão importantes quanto a capacidade de produzir. A origem regional pode ser um ativo de identidade, desde que seja acompanhada por padrão de qualidade, inovação e escala.

Múcio de Souza Rezende e a origem da Caramuru

A Caramuru registra sua fundação em 1964 por Múcio de Souza Rezende e o desenvolvimento posterior ligado à família Borges de Souza. O grupo cresceu transformando matérias-primas agrícolas em produtos de maior valor, apoiado por infraestrutura de armazenagem, processamento e logística.

Esse tipo de trajetória ajuda a explicar uma mudança estrutural do Centro-Oeste: deixar de ser somente uma região que produz matéria-prima e ampliar a participação em etapas industriais. O salto de valor acontece quando o grão vira óleo, farelo, ingrediente, energia ou produto final e quando a logística passa a fazer parte da estratégia.

COMIGO: quando a liderança é coletiva

Nem toda grande história empresarial precisa de um personagem único. A COMIGO foi criada em 1975 por 50 produtores rurais do sudoeste goiano. Cinquenta anos depois, opera em escala bilionária e reúne milhares de cooperados.

O modelo cooperativo mostra outra dimensão da liderança: formar confiança entre produtores, criar governança, profissionalizar gestão e reinvestir em infraestrutura comum. Em 2025, a cooperativa informou faturamento de R$ 14,1 bilhões e R$ 793 milhões em sobras.

Para o ecossistema empresarial, isso importa porque evidencia que escala também pode ser construída por coordenação coletiva. O empresário que observa Goiás apenas pelo modelo tradicional de “fundador e acionistas” perde parte relevante da história econômica do estado.

O que essas trajetórias têm em comum

Apesar de modelos diferentes, aparecem padrões. O primeiro é visão de longo prazo. O segundo é reinvestimento. O terceiro é a construção de infraestrutura própria ou de parceiros. O quarto é profissionalização da gestão. E o quinto é conexão com a cadeia local: produtores, funcionários, transportadoras, fornecedores e cidades.

Também existe uma lição sobre sucessão. Empresas que atravessam décadas precisam deixar de depender de uma única pessoa. Conselho, executivos, processos, indicadores e nova geração passam a fazer parte da continuidade.

É por isso que o Conexão Central vai tratar lideranças como uma editoria de negócios: não apenas perfis biográficos, mas decisões que ajudam a explicar empresas e mercados.

Goiás tem espaço para uma nova geração de lideranças

O cenário não é formado apenas por companhias tradicionais. A expansão de startups goianas, novos investimentos industriais, tecnologia aplicada ao agro, logística e serviços cria outra geração de fundadores.

Em 2026, empresas como Almob Sistemas e ITA Mob chegaram ao Top 30 do Prêmio Sebrae Startups. Elas ainda estão muito distantes da escala dos maiores grupos goianos, mas mostram como novas lideranças podem nascer de software, dados, mobilidade e produtividade industrial.

O próximo grande negócio de Goiás pode começar numa fazenda, numa fábrica, num laboratório, num coworking ou num notebook. O ponto comum será a capacidade de resolver problemas relevantes e construir uma organização que sobreviva ao entusiasmo inicial.

Liderança não é apenas fundar: é criar instituição

O momento mais difícil de uma empresa familiar muitas vezes não é o começo, mas a passagem da fase em que o fundador decide tudo para uma organização capaz de funcionar com executivos, conselhos, processos e indicadores. O fundador pode ser excelente vendedor ou operador e, ainda assim, precisar construir uma estrutura que não dependa dele.

Os grupos goianos que atravessaram décadas oferecem exemplos distintos de profissionalização. A Piracanjuba adotou estrutura corporativa mais ampla; a SSA avançou na sucessão executiva; a COMIGO opera com governança cooperativa e direção profissional. São caminhos diferentes para a mesma pergunta: como preservar cultura sem travar crescimento?

O interior de Goiás como berço de empresas nacionais

Um padrão chama atenção: várias histórias relevantes não começaram na capital. Itaberaí, Bela Vista de Goiás e Rio Verde mostram que proximidade da matéria-prima, conhecimento da cadeia e relacionamento regional podem ser vantagens competitivas. A internet e a logística reduziram ainda mais a necessidade de um negócio nascer no eixo Rio-São Paulo para alcançar mercado nacional.

Isso não elimina limitações de talento, capital ou infraestrutura, mas muda a percepção de oportunidade. Uma empresa do interior pode construir distribuição nacional desde que resolva problemas de qualidade, governança, logística e marca.

O que um empreendedor novo pode copiar — e o que não pode

Não faz sentido copiar o setor ou a escala de uma companhia que começou há décadas em outro contexto. O que pode ser replicado são princípios: entender profundamente o cliente, reinvestir, dominar números, criar barreiras competitivas, tratar distribuição como parte do produto e formar equipe melhor do que o fundador em áreas específicas.

Também vale copiar a disciplina de sobreviver. Crescer rápido sem caixa pode matar uma empresa. Crescer devagar sem inovação também. As trajetórias locais mostram ciclos, recomeços e decisões difíceis que desaparecem quando a história é resumida a “empresário bilionário”.

Reputação do fundador e reputação da empresa

Em negócios familiares e regionais, o nome do fundador costuma aparecer misturado à marca. Isso pode ajudar no início, porque confiança pessoal abre portas. Em escala maior, porém, a reputação precisa ser institucionalizada. A empresa precisa ter políticas, governança, porta-vozes, história documentada e presença digital coerente para que sua credibilidade não dependa apenas de uma pessoa.

Essa transição também é importante para mecanismos de busca e inteligências artificiais: biografia, empresa, cargos, marcas e fontes precisam estar claramente conectados, sem transformar conteúdo institucional em propaganda sem evidência.

História bem documentada também é ativo

Empresas que registram origem, marcos, sucessão e fontes confiáveis facilitam a compreensão de sua reputação por clientes, imprensa, Google e sistemas de IA. Memória corporativa não é vaidade: é parte da governança e da marca.

Perguntas frequentes

Quem é Zé Garrote?

José Carlos Garrote de Souza é um empresário goiano ligado à construção da São Salvador Alimentos (SSA), dona da marca Super Frango. A história oficial da empresa registra a parceria entre Carlos Vieira e Zé Garrote a partir de 1981 e a inauguração da planta de processamento em 1991.

A Piracanjuba nasceu em Goiás?

Sim. A empresa informa que nasceu no interior de Goiás em 1955 e, ao longo de sete décadas, expandiu fábricas, marcas, parcerias e distribuição para diferentes regiões do país.

A COMIGO é uma empresa de um único dono?

Não. A COMIGO é uma cooperativa. Ela foi fundada em Rio Verde por 50 produtores rurais, e sua escala mostra outra forma de liderança empresarial: governança coletiva associada a uma estrutura profissional de gestão.

Por que estudar empresários e lideranças de Goiás?

Porque trajetórias empresariais ajudam a entender decisões de risco, sucessão, expansão, construção de marca, governança e formação de cadeias produtivas. Isso é mais útil do que tratar liderança apenas como fama ou patrimônio.